quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Segue abaixo minha resposta sobre a mensagem que tá circulando pela rede cujo título é: "Boicote aos 'Turistas'"


Queridos(as):

Esse boicote é sobre o filme "Turistas". No entanto... Alterei o título para aprofundar a questão. E pensei... Por que não, ao invés do lugar comum de afastar o "mal" -- a aparente soberania de ver uma realidade (isso aí: UMA realidade), não fazer da dita obra hollywoodiana (se é que está no mainstream da indústria norte-americana) além de uma forma de se refletir a realidade que enxergamos sobre nossa cidade, um caminho pra se pensar a própria indústria cultural americana (e digo americana mesmo, todas as américas).

De onde, afinal, saiu a verba para a produção de "Turistas"?? Sim, claro. Saiu do bolso de milhões de estadunidenses sedentos de placebo e de versões de mundo (as mais utilitaristas e reducionistas ao meu ver) que por mais de meio século estão engordando o bolso de ultra-mega-hiper-master astros como Spielberg, Cameron e Scott. Mas... Foi só de lá? Alguém aí sabe quantos milhões de dólares, nós tupiniquins, demos nas bilheterias de Titanic? Gladiador? O Senhor dos Anéis?

"Turistas" só se faz possível na medida em que existe uma cidade como a nossa desviando a atenção, o foco para um país na América do Sul e, na medida em que existe retorno para esta criadouro cinematográfico norte-americano, pois os recursos para que esta produção se mantenha e se estabeleça como potência se fazem na bilheteria. Bilheteria com pagante, espectadores, audiência como eu e você.

Só pra finalizar, mas sem, de forma alguma, esgotar a questão: por que, ao invés de se propor um simples boicote reducionista e parcial (posto que como cariocas nos sentimos extremamente ofendidos com tanta desisformação por parte dos nossos vizinhos estadunidenses), não
façamos um boicote ao reducionismo, às generalizações preconceituosas, à degustação de apenas UMA versão de mundo? Por que não invadir as salas de cinema, mais baratas que os mega Cinemarks, para ver, ouvir, cheirar o que tem a dizer nossos irmãos europeus, chineses, indianos (estes, inclusive, com produção muitas vezes até superior em nº que a norte-americana) e principalmente, saber o que nós mesmos temos a dizer sobre nós através da nossa produção cinematográfica?


Então, deixo a controvérsia sobre o filme assim... Em aberto. Que aponte para outras reflexões. Quem é vc, Brasil? Quem é vc, Rio?

3 comentários:

Roneyb disse...

Oi Nívea!

Eu também andei escrevendo sobre este filme. Não acho que o assunto mereça tanta atenção, mas como você acabei resolvendo me manifestar porque o treco virou assunto até na mídia impressa.

O que eu acho sobre o filme é que ele não vem do nada. A imagem que a gente vende do Brasil é a de um país que não respeita os direitos humanos e onde tudo é lícito. Em vez de tentar sensurar quem usa esta imagem o que temos que fazer é mudar nosso país.

Ai entramos no que você falou...

Nossas classes mais privilegiadas tem um comportamento alienado tanto quanto se concentra no Orkut ou no Fotolog quanto na hora de consumir cultura.

Isto é uma pena pois o melhor da arte está fora das fronteiras da cultura de consumo que é que nem açúcar: é fácil de digerir, some do seu sistema em minutos sem deixar benefícios e engorda loucamente.

Por outro lado a arte de verdade ecoa dentro da gente por anos e algumas vezes por toda a vida.

Sempre tento sensibilizar as pessoas para isto, mas é difícil. O apelo da facilidade de consumo aliado ao estado de stress a que somos conduzidos pela mídia é uma combinação bombástica para nos tirar a vontade de ter uma vida menos ordinária.

Adriana Amaral disse...

ah eu acho q tudo em torno desse filme ´e muito exagerado, é um filme trash.. só isso...
estou retribuindo a visita..bjo

Lazzarus disse...

É pode ser... Mas... se é um "filme trash... só isso"? Por que a mobilização da Embratur, e-mails em massa etc?