quinta-feira, 10 de novembro de 2005


Lugar comum
(N.Lazzarus)

Entre os ossos dos opostos
O paraíso e o ferrão
Pilhérias no mausoléu
Pipas voando no chão

Se você diz sim, meu bem
Querendo dizer não
"Vem pra cá neném"
É contra-senso na canção

Amor como em qualquer lugar
Amor em drops, no shopping
À vista ou no cartão: é só pagar

Nos seus olhos, só a luz
E na vida, tudo túnel
Em tempo quente, seduz
No frio, derrete a solidão

Em tempo é bom lembrar
E quando a grana faltar
Como se pode comprar amor?
Deixando o gosto de ter somente o q se quer
Pensando no que se pode dar

Amor como em nenhum lugar
Amor em cubos, quadrados
Crescendo e rompendo, é só regar

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Nâo quero ser Barbie!


Que me perdoem os mais democráticos, mas... Não há como não ser "purista" numa hora dessas...
Como? Como é possivel, admissível a difusão de idéias tão profanas?
Mas... De que idéias estou falando?
Pois bem, dia desses estava eu numa van com o rádio ligado numa dessas estações... como dizer... mais massificadoras. E claro, pedir demais para não tocar nada "romântico" do tipo "água com açúcar"... Foi quando, forçosamente, ouvi (da introdução até o fading out) "Barbie Girl", a versão da Kelly Key para a música homônima do grupo Aqua.
Nâo vou dizer que minha vida mudou depois disso, nem que perdi as esperanças num mundo onde as pessoas saibam o que é amor, mas... Acreditem: fiquei realmente preocupada com o futuro daqueles que nem sequer nasceram!!
Coméquipodi tamanha distorção de um sentimento tão nobre do qual precisamos tanto??
Até que ponto deixaremos o sistema econômico vigente ditar nossa forma de ver e nos relacionar com o próximo?
Mas... Ainda não ficou claro o que quero dizer? É só analisar:

"...Se eu pedir uma estrela/Você vai buscar/O meu jeito é assim/Não reclama/Quando quer bate o pé/E eu vou ter que aceitar/Só assim vou saber que me ama/Você pode me ganhar/É só fazer o que eu mandar"

Beleza! Somos todos "moedas de troca". "Eu te amo porque você faz o que eu mando". Logo, se você faz o que mando, você me tem. Toma lá, dá cá, tsc tsc tsc.
Não sei todo mundo... Mas, se assim fosse... Eu prefiriria ser a Susie!

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Do título



Você, leitor, que está nesse exato momento se perguntando:
Por que esse título?
São tantas as respostas que ponho à prova minha capacidade de sintetizar o pensamento... As idéias.
E... Penso... Penso... Por onde começo?
Ah, já sei!
Alguns reconhecerão clara e oportunamente a influência de Monsieur Voltaire.
Sim! Monsieur Voltaire e seu cândido protagonista que via em todos os lugares, apesar de todas as desgraças e dissabores, o melhor dos mundos.
Sim: o melhor dos mundos. E... Viva Midnight Oil que também lembrou da referência: o melhor dos mundos!
Vivas também para Roberto Jefferson e o brazuca que não se importa em ficar sem os míseros R$ 0,01 de troco!
Viva os milhões de idiotas e imbecis que deixaram a Claro (isso mesmo, a do celular “claro que você tem mais”), a Telemar e tantas outras “concessionárias de serviços públicos” entupirem nossas cabeças de dores!
Viva o “o jeitinho brasileiro” que nos permite dormir tranqüilos com tanta sacanagem volupiando na mente dos safados urubus que sobrevoam e infestam Brasília!!
Viva a depreciação da cultura, do fazer artístico nacional!!
E viv... Ops... Muitos “vivas” para um só post... Pois é, como você vê: estamos no melhor dos mundos. Bem-vindo!

Consider

we're only shadows in the desert
we run in and out and end up in the same place
home is far, but we persist
we're not brave, but we have to live

love is but an answer
i couldn't find
a memory that still remains
in a fool's mind

love is a signal
that shows we're human
a piece of meaning
in this meaningless merry

it should be bread
in times of hunger
but it's a drop of water
for a thirsty crowd

should we be easy with a drop?
could we go on without a crop?
and if the pain makes us mourn
we've got to make our path, and fight for more

quinta-feira, 11 de agosto de 2005




POLITICA-MENTE INSATISFEITA


Não tenho preço, mas apreço
Não me esforço, enfraqueço
Não compro, mas devo
Devo dizer que não bebo

Balbucio e não digo
Não beijo, só esbravejo
Não piso, mas passo
Passo a dizer que bebo

Pára de me ver por mim
Pára pra se ver por si
Pára de pensar por mim
Pára pra pensar por si

Tem um toco no caminho
Um toco oco pouco bom


Por que eu não leio Caras...

Enquanto ouço Dave Mathews escrevo...
E penso no quanto nossa sociedade é imediatista e de espetáculo... Aliás... Como escreve bem esse Dave! Mais uma voz no deserto... Que bom! Benvindo ao clube, Dave!
Acho que cabe ilustrar meu pensamento com dois exemplos, talvez três...
Por formas que eu nem me dei conta, acabei tendo contato com pessoas que, em algum momento de suas vidas, se tornaram celebridades. Ou ainda o são... Mas aí já é outra história e não importa para o que vou dizer.
Às ilustrações, então. Um é ator, ainda jovem. Teve lá seus momentos de glória e dinheiro. Outro é um importante jogador de futebol (inclusive no cenário mundial). Ambos desfrutam e desfrutaram de todas as vantagens que o reconhecimento, o sucesso possam oferecer.
E... Essa questão me pareceu importante porque fiquei pensando... Até que ponto a fama, o dinheiro faz alguém amadurecer? Como reage a mente de uma pessoa frente ao sucesso, poder, fama?
Eu acho que poderia culpar meu namorado por me fazer levantar essas questões. Ou vou mais além: culpo todos aqueles que teimaram em “fazer” suas vidas bem precocemente e passaram por experiências tais que... se tornaram adultos antes mesmo da determinação de seus... digamos chronos.
E fiquei pensando... Por que as pessoas às vezes (principalmente as mulheres) se chocam ainda com a diferença de idades em um relacionamento?
O que esses três rapazes teriam em comum?
Bem... Todos são solteiros. Todos são jovens. Todos usufruem os benefícios de suas carreiras. Uns mais, outros nem tanto. Mas... O engraçado é ver o quanto a fama e o assédio podem influenciar no amadurecimento de uma pessoa.
É engraçado porque, conversando com os “famosos”, tenho a límpida impressão de que um tanto de vida lhes foi roubado. É como se eles dormissem e quando acordassem a primeira pergunta que fariam a si mesmos fosse: “ei, onde está aquele pedacinho de vida que está faltando para eu crescer o suficiente?”
Mas... Vi que isso não ocorre apenas por causa da fama. Observei também alguns amigos (“mortais” como qualquer um de nós) e eles parecem que também... não cresceram! “Como?” Me pergunto. Como foi que desapareceu um tanto de vida deles?? Como foi isso? Quem roubou (se é que foi alguém)?
Porque... Não é possível conversar com o meu namorado (que é muito mais jovem que eu) e... Não sentir essa falta... Ao contrário. Parece... Que um tanto a mais de vida lhe foi acrescentado e ele cresceu até mais do que deveria e... O que mais me impressiona: cresceu sem perder a ternura, aquele olhar pueril e doce de quem não perdeu as esperanças na vida... Caramba! Ou minha geração está se tornando anã ou ele (meu namorado) se tornou um gigante! É... Que coisa, hein?
Sou da geração MacDonalds... Escutávamos Guns n’Roses quando ainda dava pra se ver a mulher no braço de Axl, vimos a queda do muro de Berlin, fomos às ruas com as caras pintadas para lutar pelo “impeachment”... Bons tempos... Se bem que eu teria mais saudades dos anteriores.
Será que a carga de informação hoje em dia é tamanha que o ser humano está... “emburrecendo”. Um amigo, estudante de marketing, assim me disse. “Fizeram um estudo e de acordo com as estatísticas, a cada ano que passa o ser humano se torna mais burro devido à diferença entre a carga de informações que existe e o que cada um consegue ‘absorver’”, ele ostentou a frase como se estivesse falando... De uma curiosidade do tipo “você sabia?” da rádio relógio. Por falar nisso... Alguém aí lembra do “você sabia”?
Pois é... Mas, ainda fico com a pergunta: o que aconteceu com essas pessoas de quem um tanto de vida foi roubado??! Onde foi parar esse tanto?
No meu caso... Não sei delimitar o que aconteceu... Mas... Toda a vez que me sinto “a voz que clama do deserto” penso... Ei, que bom: há os “Daves Mathews, as Biancas Ramoneda, os Michels Melamed e por aí vai (graças a Deus!)...”
E... Quanto ao meu namorado? E quanto ao oposto? Hum... Aí, mesmo não gostando do Carlos Castañeda, devo a ele algum mérito... É. Valeu Castañeda, valeu Blake, valeu Huxley!!